Novo CEO da Remedy planeja impulsionar vendas de Alan Wake e blinda estúdio contra Inteligência Artificial

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Ex-executivo da EA, Jean-Charles Gaudechon, descarta descaracterizar o DNA da empresa, exalta parceria com a Annapurna e detalha bastidores de Control Resonant.

PRA RESUMIR

  • O novo CEO da Remedy, Jean-Charles Gaudechon, garantiu que preservará a identidade autoral do estúdio de 30 anos e usará a parceria com a Annapurna para transformar propriedades intelectuais em grandes franquias.

  • O executivo estabeleceu como prioridade máxima expandir o alcance de mercado e as vendas de Alan Wake 2 e Control através de estratégias transmídia, apontando que os jogos originais deveriam ter vendido muito mais.

  • A liderança adotou uma postura de extrema cautela contra a IA generativa, permitindo seu uso apenas em protótipos de bastidores e blindando totalmente a área criativa de títulos como o futuro Control Resonant.

A Remedy Entertainment é amplamente reconhecida na indústria por criar jogos eletrônicos peculiares, únicos e estranhos que, em algumas ocasiões, não registram um volume de vendas muito expressivo. O novo CEO da desenvolvedora, o ex-executivo da Electronic Arts (EA) Jean-Charles Gaudechon, debateu abertamente sobre os variados projetos em andamento na companhia durante uma entrevista concedida ao portal The Game Business, detalhando suas metas e planos estratégicos para garantir que o estúdio consiga vender mais cópias de seus jogos daqui para frente.

Discutindo a respeito de sua passagem anterior pela Electronic Arts, Gaudechon afirmou que compreende perfeitamente o receio que os fãs das obras da Remedy possam nutrir sobre a possibilidade de sua gestão acabar transformando o estúdio em algo semelhante à EA. No entanto, o executivo ponderou que a sua escolha para ocupar o cargo de novo CEO aconteceu justamente porque ele sabe "exatamente o que a Remedy representa" e entende como o estúdio precisa ser apoiado.

"Houve muita conversa sobre a EA. O que significa ter alguém que passou um tempo na EA? E eu compreendo totalmente o medo de 'será que ele vai trazer métodos que funcionam para uma empresa massiva e esmagar a alma de um estúdio como a Remedy?' Mas acho que fui escolhido porque sei exatamente o que a Remedy é. E o que precisa ser protegido, precisa ser apoiado e precisa crescer. A Remedy é única em seu gênero. É um estúdio que possui um impulso criativo incrível. É um estúdio que também já foi bagunçado aqui ou ali, e essa é a beleza do tipo de jogos que foram feitos e de como foram feitos. O que espero poder trazer para a Remedy é uma visão de onde a empresa pode ir e onde podemos fazer algumas melhorias. Quem sou eu para mudar o DNA de um estúdio de jogos bem-sucedido de 30 anos?" indagou Gaudechon.

O executivo relembrou o imenso amor e respeito que a Remedy já conquistou de seus seguidores graças a títulos de peso como Alan Wake 2 e Control, revelando inclusive que recebeu mensagens diretas de seus próprios amigos dizendo: "Nós amamos tanto a Remedy. Não estrague tudo". Para ele, isso demonstra o tamanho do carinho do público. Ele complementou dizendo que a Remedy já se posiciona como um dos maiores autores de jogos, entregando produtos com assinaturas muito fortes. Após analisar a estrutura pelo lado de dentro, ele enxerga que há muito mais para oferecer em termos de histórias e jogabilidades superautorais, criativas e malucas, admitindo honestamente que a empresa não alcançou sequer metade do potencial dos produtos que fabrica.

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Sobre os planos práticos direcionados ao estúdio, o CEO deseja dar continuidade ao caminho que já havia sido traçado pela Remedy Entertainment antes de sua nomeação, o que envolve analisar minuciosamente como as diferentes propriedades intelectuais (IPs) da casa podem ser transformadas em franquias consolidadas. Ele explicou que o acordo firmado com a Annapurna tem como objetivo central fazer com que os jogos e franquias brilhem ainda mais, alcançando uma fatia de público que simplesmente não existe hoje. O executivo lamentou o desempenho comercial de títulos passados, pontuando que considera uma pena que Alan Wake deveria ter vendido mais e que Control deveria ter vendido mais. Para ele, corrigir essa questão é uma das primeiras prioridades a serem resolvidas, vindo antes mesmo do esforço de tentar produzir mais jogos até certo ponto. A meta inicial é maximizar o potencial das marcas incríveis que já possuem, e a estratégia cross-media (transmídia) será a ferramenta utilizada para ajudar a atingir esse objetivo.

Gaudechon também fez questão de abordar um dos assuntos mais debatidos e polêmicos quando se projeta o futuro do mercado de games: o uso de inteligência artificial generativa. Ele observou que, embora o estúdio esteja sendo "extremamente cauteloso e não esteja abraçando a IA de forma clara", ele consegue enxergar utilidade prática para as ferramentas de IA em etapas iniciais de desenvolvimento e no processo de prototipagem. Ele garantiu que não existirá nenhuma ordem ou mandato de cima para baixo que force a implementação obrigatória dessas tecnologias, mas ressaltou que também não vai bloquear nenhum dos desenvolvedores de utilizarem recursos de IA caso eles julguem que isso possa ajudar na produção.

"Minha postura é de que a IA não vai tornar as coisas mais baratas, e não vai tornar as coisas mais baratas por um período consideravelmente longo. As pessoas que pensam 'Ah, agora podemos fazer jogos mais baratos com isso', eu tenho grandes pontos de interrogação em torno disso. E que tipos de jogos, a propósito? Eu disse isso durante a teleconferência de resultados: boa sorte tentando fazer Alan Wake 2 com inteligência artificial. Tente usar o Genie e fazer isso, e veremos onde você vai parar. Mas nós sempre fomos um estúdio focado em Pesquisa e Desenvolvimento (R&D). Sempre estivemos envolvidos com coisas tecnológicas. Então, não vou impedir as pessoas de fazerem isso. Mas seremos extremamente cautelosos com isso, nunca deixando a tecnologia chegar perto da parte criativa e nunca deixando chegar perto do que é voltado para o usuário", cravou o comandante.

Atualmente, a Remedy está concentrada no desenvolvimento de Control Resonant, projeto oficialmente confirmado que fará sua estreia nas plataformas PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S. Até o presente momento, nenhuma janela ou data de lançamento foi anunciada de forma oficial pelo estúdio.

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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
Web Designer, apaixonado por tecnologia e gamer orgulhoso de acompanhar todas as gerações e seus grandes títulos.
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