Fechamento do estúdio "Free Radical", enquanto desenvolvedores do TimeSplitters lamentam 'indústria quebrada'

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A notícia que muitos fãs de TimeSplitters temiam se tornou realidade: o estúdio Free Radical Design, responsável pela aclamada série de jogos de tiro em primeira pessoa, foi oficialmente fechado pela sua empresa-mãe, a Crytek. A decisão foi anunciada em um comunicado divulgado na última sexta-feira (8), que informou que os 40 funcionários restantes do estúdio foram demitidos e que os projetos em andamento foram cancelados.

O fechamento do Free Radical é mais um triste capítulo na história da indústria de games, que vem sofrendo com a crise econômica, a concorrência acirrada e as mudanças nos hábitos de consumo dos jogadores. Em uma entrevista ao site Eurogamer, dois ex-desenvolvedores do estúdio, Steve Ellis e David Doak, lamentaram a situação e criticaram o modelo de negócios atual, que privilegia os jogos genéricos e de baixo risco em detrimento da criatividade e da inovação.

"É uma indústria quebrada", disse Ellis, que foi co-fundador do Free Radical e diretor de TimeSplitters 2 e TimeSplitters: Future Perfect. "Os custos de desenvolvimento estão subindo, mas os preços dos jogos estão caindo, e cada vez menos pessoas estão dispostas a pagar por eles. Os jogos se tornaram um produto descartável, que as pessoas jogam por algumas horas e depois deletam para baixar outro. Isso é insustentável."

Doak, que também foi co-fundador do estúdio e diretor de TimeSplitters e Haze, concordou com o colega e acrescentou que os publishers são os principais culpados pela situação. "Eles querem fórmulas seguras, que garantam um retorno financeiro imediato. Eles não querem arriscar em novas ideias, em novas franquias, em novos gêneros. Eles querem mais do mesmo, mais sequências, mais clones, mais cópias. Eles mataram a originalidade e a diversidade dos games."

Os dois ex-desenvolvedores também revelaram que o Free Radical estava trabalhando em um novo jogo da série TimeSplitters, que seria o quarto da franquia e que teria um tom mais sombrio e maduro do que os anteriores. No entanto, o projeto nunca saiu do papel, pois nenhum publisher se interessou em financiá-lo. "Foi frustrante, porque nós sabíamos que tínhamos uma base de fãs fiel e apaixonada, que estava ansiosa por um novo TimeSplitters. Mas os publishers não viam isso, eles só viam números e gráficos", disse Ellis.

O futuro da série TimeSplitters agora é incerto, assim como o destino dos ex-funcionários do Free Radical. Ellis e Doak disseram que pretendem continuar trabalhando com games, mas que não sabem se terão a mesma liberdade e autonomia que tinham no estúdio. "Nós amamos fazer games, nós amamos criar mundos e personagens e histórias. Mas nós não amamos o que a indústria se tornou. Nós esperamos que isso mude algum dia, mas não estamos muito otimistas", concluíram.

 

      

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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
Web Designer, apaixonado por tecnologia e gamer orgulhoso de acompanhar todas as gerações e seus grandes títulos.
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