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Capcom rejeita arte por IA e prioriza sensibilidade dos criadores em seus jogos

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Vice-presidente da empresa defende eficiência do capital humano, detalha uso do Google Gemini em testes automatizados e acalma temores sobre Resident Evil Requiem.

PRA RESUMIR

  • A Capcom garantiu que não usará IA generativa para criar artes em seus jogos, priorizando a sensibilidade humana dos criadores por questões de eficiência e coexistência.

  • O estúdio utiliza o Google Gemini e uma IA própria para realizar varreduras de bugs de rotina e testes de QA durante as madrugadas, filtrando erros de conceito para os diretores.

  • O posicionamento acalma os funcionários que temiam uma mudança de postura após o jogo Resident Evil Requiem aparecer de surpresa em um evento tecnológico da Nvidia.

A Capcom confirmou categoricamente que não está utilizando inteligência artificial generativa para criar recursos artísticos (art assets) para os seus jogos. Em entrevista concedida ao portal 4Gamer, traduzida via Automaton Media, o vice-presidente da plataforma de desenvolvimento de jogos e soluções de IA da companhia, Shinichi Inoue, afirmou que a empresa está estritamente focada em aplicar ferramentas de IA para outras funções de suporte. O executivo foi enfático ao pontuar que a inteligência artificial generativa simplesmente não é capaz de produzir o tipo de resultado que a Capcom deseja implementar dentro de suas produções.

Inoue explicou que, ao contrário da inteligência artificial, o que a indústria do entretenimento considera extremamente vital é a sensibilidade humana. Segundo ele, mesmo as tecnologias de IA de alto nível ainda não conseguem se igualar aos criadores quando o assunto é sensibilidade. Diante dessa realidade, ele defendeu que concentrar o esforço humano em trabalhos que exigem essa percepção artística é muito mais eficiente do ponto de vista de gestão de capital humano, sendo um passo fundamental para a coexistência saudável com os criadores de conteúdo.

Isso não significa, porém, que os recursos tecnológicos estejam totalmente banidos dos escritórios da publisher. Inoue revelou que a Capcom utiliza o Google Gemini em conjunto com uma ferramenta de IA proprietária para testes de garantia de qualidade (QA). Esse sistema interno relata suas descobertas para agentes de verificação de depuração de bugs, mas, em vez de deixar todo o fardo nas mãos de humanos, um outro agente avalia os relatórios cruzando as informações diretamente com o conceito estipulado pelo diretor do jogo. O vice-presidente descreveu essa dinâmica como uma automação voltada para o "trabalho de rotina", explicando que um volume gigantesco de checagens e avaliações é executado pelo sistema enquanto os funcionários humanos estão dormindo. Posteriormente, o programa filtra os problemas com maior probabilidade de estarem incorretos em relação ao conceito pretendido para o game e os apresenta à equipe técnica.

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A última vez que a empresa havia debatido o assunto publicamente foi durante uma sessão de perguntas e respostas com investidores. Na ocasião, a Capcom declarou que estava em processo de experimentação de várias ferramentas baseadas em IA para entender como elas poderiam otimizar o fluxo de produção, incluindo os setores de gráficos, som e programação, mas reforçou o compromisso de não implementar nenhum elemento gerado por IA no conteúdo final dos videogames, mirando apenas na produtividade.

Curiosamente, a Capcom esteve recentemente no centro de uma grande polêmica envolvendo a apresentação da tecnologia DLSS 5 da Nvidia. Na época, relatórios de bastidores indicaram que os próprios funcionários do estúdio ficaram chocados ao verem o aguardado Resident Evil Requiem ser utilizado como demonstração no evento, visto que a empresa possui uma cultura tradicionalmente rotulada como "anti-IA". O relatório daquele período também acendeu o temor na equipe de que a liderança da Capcom pudesse mudar de ideia de última hora e forçar a implementação dessas tecnologias em jogos que estão em pleno desenvolvimento.

A postura da dona de Street Fighter e Resident Evil, contudo, caminha em paralelo a movimentos de outras gigantes do mercado oriental. A Square Enix, por exemplo, revelou em seus planos de negócios divulgados em novembro de 2025 que está participando de um projeto de pesquisa conjunto com o Laboratório Matsuo-Iwasawa da Universidade de Tóquio. A meta declarada da Square Enix com o uso de inteligência artificial é mais agressiva no setor técnico: automatizar até 70% de todo o trabalho que envolve as tarefas de controle de qualidade e eliminação de bugs (debugging) de suas produções.

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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
Web Designer, apaixonado por tecnologia e gamer orgulhoso de acompanhar todas as gerações e seus grandes títulos.
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