Dragon Age: Inquisition e a jornada interior pela fé e crença
O poder da fé em Dragon Age: Inquisition

Após sobreviver a um ataque devastador de demônios, você emerge milagrosamente ileso de uma avalanche. Este evento inexplicável convence seus seguidores de que você foi escolhido por The Maker, o deus do mundo de Thedas. Em reverência, dezenas de pessoas se ajoelham diante de você, entoando um hino assustador. Mas, será que você realmente acredita que é o escolhido?
Dragon Age: Inquisition é um jogo fascinante, repleto de narrativas envolventes e dilemas profundos, embora envolto em um design de mundo aberto que pode parecer genérico. Mesmo após uma década de seu lançamento, enquanto RPGs revolucionários como The Witcher 3 e Baldur's Gate 3 surgiram, Inquisition continua a se destacar em um aspecto crucial: nenhum outro jogo aborda de maneira tão envolvente e significativa os temas de religião e crença, forçando os jogadores a refletirem e questionarem suas próprias convicções. Esse tema narrativo é o que solidifica Inquisition como um marco na história dos RPGs.

No mundo de Thedas, a religião dominante é a Chantry de Andraste, que exerce uma enorme influência sobre a cultura, a sociedade e a história do reino. No início do jogo, uma fenda gigante aparece no céu, liberando demônios e fazendo muitos acreditarem que o fim dos tempos chegou. Seu personagem, o único sobrevivente da explosão que causou essa fenda, adquire um poder mágico que pode selar essas aberturas perigosas. Quer você goste ou não, agora é a única pessoa capaz de salvar o mundo. Embora a narrativa do "escolhido" não seja novidade nos videogames, a forma como Inquisition lida com esse tropo é inovadora.
Os jogos da série Dragon Age sempre permitiram que o jogador se inserisse na pele do protagonista, mas isso é levado a outro nível em Inquisition. O maior conflito do jogo é seu papel em tudo isso e se você escolhe ter fé, duvidar ou adotar uma posição intermediária. O jogo nunca confirma se seu personagem é realmente um herói escolhido, deixando a interpretação a cargo do jogador. Você acredita que é um herói divinamente escolhido, ou vê o poder que ganhou como fruto do acaso? Esse novo poder é uma bênção ou uma maldição?
A religião é o pilar central de Inquisition, e o jogo frequentemente força o jogador a confrontar sua recém-descoberta autoridade. Os personagens o veem como uma figura messiânica, mas o jogo nunca direciona você para uma resposta certa ou errada. A religião, com sua capacidade de fornecer tanto estabilidade quanto conflito, é retratada de forma complexa, sem julgamentos definitivos.

Como Inquisidor, você caminha em uma linha tênue, onde cada palavra sua tem peso, mas pode gerar consequências inesperadas. Embora seja apenas uma pessoa comum colocada em uma posição impossível, o destino do mundo está em suas mãos. A maneira como o jogo lida com a fé não é uma crítica a nenhum sistema de crenças, mas sim uma ferramenta para fazer o jogador refletir, permitindo que você questione seus próprios sentimentos.
Além do subtexto religioso, Inquisition também desconstrói a própria ideia de heroísmo, colocando o jogador no centro desse debate. A escolha e a interpretação são fundamentais: você pode se inclinar para ser o herói adorado, ou pode se sentir desconfortável ao ser colocado em um pedestal. Suas ações reverberam pelo reino, muitas vezes acompanhadas de exageros, o que faz com que os novos personagens que você encontra já tenham noções preconcebidas sobre você, o que contrasta com sua origem humilde.
A capacidade de Dragon Age: Inquisition de fazer o jogador pensar é sua maior qualidade. Poucos jogos conseguem integrar tão profundamente seus temas narrativos com as escolhas do jogador, tornando-se uma referência que muitos RPGs deveriam buscar. Dragon Age: Inquisition está disponível para PS4, Xbox One e PC.
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Marcos Paulo I. Oliveira
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