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Duskfade é um abraço quentinho nos Anos 2000, mas que merece alguns cuidados

Entre plataformas brilhantes e uma nostalgia deliciosa, o jogo acerta no charme retrô, mas tropeça no combate e na otimização técnica.

Sabe aquele jogo que sabe exatamente a que veio e não perde um segundo para entregar essa proposta? Duskfade é puramente isso. Se não fossem os recursos visuais claramente modernos, eu jurava de pé junto que tinha tropeçado em uma joia perdida dos anos 2000. Bebendo diretamente da fonte de clássicos como Jak and Daxter, o título passa uma sensação deliciosa de ser um jogo "perdido no tempo".

E essa estética de deslocamento temporal não é por acaso: ela se entrelaça perfeitamente com a própria história.

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Um mundo despedaçado pelo tempo

Em um cenário pós-calamidade temporal, você controla um dos raros humanos restantes em um mundo agora habitado por entidades misteriosas com formato de nuvem. Após um acidente trágico, sua irmã fica presa dentro de uma imensa torre do relógio. Para alcançar o topo e salvá-la, sua missão é explorar o mundo despedaçado para cortar as pesadas correntes que prendem a estrutura.

A narrativa funciona super bem. Conforme você avança pelas regiões, vai juntando os cacos do passado para entender o que causou o cataclismo, enquanto luta no presente para resgatar sua família.

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O brilho da plataforma e os tropeços do combate

O ciclo de jogo divide-se entre a exploração de um hub central onde dá para comprar melhorias e itens cosméticos, e a partida para regiões compostas por uma zona aberta, uma masmorra e, finalmente, um chefe.

A jogabilidade mistura plataforma 3D e combate hack-and-slash, mas a diferença de qualidade entre os dois pilares é gritante.

O design de níveis é fenomenal. Mesmo sendo um jogo essencialmente linear, as fases passam uma sensação de grandeza incrível, com caminhos alternativos e colecionáveis escondidos. O jogo consegue te afunilar organicamente para onde você precisa ir sem nunca te deixar perdido, mesmo quando você jura que pegou o caminho errado.

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Se a plataforma emula os anos 2000 da melhor forma possível, o combate emula os piores vícios daquela época. A mecânica de esquiva é um pouco truncada/lenta e os inimigos sofrem de uma falta incômoda de knockback, onde você bate, mas parece que os golpes não têm o peso necessário.

Sentir o gostinho de voltar a áreas antigas com novas habilidades para pegar segredos é ótimo. No entanto, faltou um pouco de sinergia. O jogo separa muito o que é habilidade de combate (como uma rajada estilo espingarda) do que é navegação (como se prender a pontos flutuantes). Salvo raras exceções, como um ataque pesado que também serve para quebrar cristais, as habilidades raramente se misturam nos dois contextos.

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Arte e trilha sonora impecáveis

A apresentação visual e auditiva é um dos pontos mais fortes por aqui. O estilo artístico dança perfeitamente no limite de ser "espalhafatoso" por conta da saturação agressiva das cores, mas, de alguma forma, tudo funciona. Há um calor nostálgico na direção de arte que acolhe o jogador imediatamente.

A trilha sonora é um espetáculo à parte. O trabalho musical é inspirado e acompanha cada cena. É memorável e eleva demais o clima de aventura. Junto a isso, temos um dublagem cativante, que dá o tom certo a cada cena.

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Falta de otimização visual

Se a arte e o level design encantam, a parte técnica no Xbox Series S me deixou com um gosto amargo na boca.

O jogo sofre com pequenos engasgos (stutters) constantes que tiram um pouco do ritmo da navegação. Mas o problema mais severo está na qualidade de imagem: ao entrar em áreas mais amplas, há uma redução drástica e agressiva na resolução, deixando a cena visivelmente borrada.

Fica evidente uma falta de cuidado e refino na implementação de técnicas de reconstrução de imagem ou ajuste dinâmico de tela, como o DSR ou FSR. O Series S claramente tem lenha para queimar e entregar um resultado muito mais limpo se essas tecnologias tivessem sido aplicadas com o devido cuidado. O jogo faz boas escolhas de compromisso em outros aspectos, mas essa queda bruta de resolução nas áreas abertas incomoda bastante.

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O Veredito

Duskfade não esconde de onde tirou suas referências. Ele presta homenagens sinceras e orgulhosas a quem cresceu nos consoles da 6ª geração. Apesar do combate levemente travado e do carinho que faltou na otimização para o Xbox Series S, o amor e a dedicação colocados na construção desse mundo são visíveis em cada detalhe.

Se você procura uma aventura marcante, com um ótimo design de fases, visual charmoso e uma trilha sonora apaixonante, Duskfade é uma recomendação fácil. Só fica a torcida para que a desenvolvedora lance logo um patch de otimização para deixar a imagem no Series S do jeito que o jogo realmente merece.

 

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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
Web Designer, apaixonado por tecnologia e gamer orgulhoso de acompanhar todas as gerações e seus grandes títulos.
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