Riot Games muda regras e traz novas restrições para criadores de conteúdo
Riot Games aperta o cerco contra toxicidade

Na semana passada, a Riot Games anunciou uma atualização significativa nas suas políticas, impondo novas restrições sobre o que os criadores de conteúdo podem dizer ao fazer transmissões e vídeos relacionados aos seus jogos. Esta mudança visa combater a toxicidade dentro de suas comunidades, especialmente em títulos como League of Legends, frequentemente associados a comportamentos hostis por parte de seus jogadores. No entanto, enquanto a iniciativa pode melhorar a imagem pública da desenvolvedora e proporcionar um ambiente mais saudável para os jogadores, também existe o risco de que criadores marginalizados sejam penalizados de forma injusta.
A nova política foi detalhada em uma postagem de blog, que aborda quatro alterações importantes, incluindo a proibição da venda de contas e práticas como "sniping" de streamers. A principal mudança, porém, é a inclusão da "conduta fora da plataforma" nos Termos de Serviço da Riot, que agora abrange comportamentos em transmissões, vídeos e outros conteúdos criados sobre seus jogos. Isso significa que, embora ações como discurso de ódio ou assédio ocorram fora do jogo, poderão resultar em punições para os criadores, independentemente de ocorrerem nas plataformas de streaming ou em vídeos gravados.

A Riot explicou que o objetivo é alinhar as infrações no ambiente de jogo com o conteúdo gerado por criadores. "Queremos garantir que atitudes como calúnias, discurso de ódio e ameaças sejam banidas não só dentro do jogo, mas também no conteúdo que nossos jogadores e criadores de conteúdo produzem", afirmou um porta-voz da empresa. Esta medida é bem-vinda, pois visa erradicar o discurso de ódio que tem se proliferado em streams e vídeos de jogos, um problema que já resultou em campanhas de assédio coordenadas, como o ataque a funcionários da consultoria Sweet Baby Inc.
Embora as novas regras possam reduzir comportamentos abusivos, elas também levantam preocupações sobre sua aplicação em casos de criadores que agem de boa-fé. Os Termos de Serviço da Riot proíbem explicitamente a violação de leis e regras, além de qualquer comportamento ofensivo, incluindo comunicações sexualmente explícitas. A linguagem vaga sobre o que é considerado "questionável" pode, na prática, permitir que criadores sejam punidos por abordar tópicos sensíveis, como questões de gênero, raça ou sexualidade, especialmente quando se trata de grupos marginalizados.
Essas preocupações são similares às enfrentadas pela Twitch, que em novembro introduziu novas diretrizes exigindo que determinados tipos de conteúdo sejam rotulados como "sensíveis". Entre os tópicos proibidos estavam discussões polarizadoras sobre questões como direitos reprodutivos e identidade de gênero. Embora a plataforma tenha ajustado suas regras para permitir que os streamers compartilhem suas experiências vividas, ainda existe o risco de que esses criadores sejam penalizados por tocar em temas delicados. A Riot também poderia enfrentar uma situação semelhante, punindo criadores por discutirem temas de identidade LGBTQ+ ou outros assuntos sensíveis, especialmente em um ambiente político onde leis anti-LGBTQ+ estão se tornando mais comuns.

Além disso, a referência ao cumprimento das leis pode gerar mal-entendidos. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas leis estaduais estão limitando discussões sobre homossexualidade, e o Kids Online Safety Act poderia criminalizar conteúdo LGBTQ+ considerado "inapropriado". Caso essas regulamentações se concretizem, os criadores podem enfrentar sanções severas por discutir questões relacionadas à comunidade LGBTQ+ de maneira legítima.
A indústria de jogos tem lidado com a difícil tarefa de combater o discurso de ódio, o assédio e a radicalização extremista nas suas plataformas. Embora as novas regras da Riot Games possam ser um passo positivo para erradicar esses problemas, é essencial que a empresa se certifique de que suas políticas não prejudicam ainda mais aqueles que já são vulneráveis. Para alcançar uma comunidade mais inclusiva e segura, é preciso que a Riot, assim como outras desenvolvedoras, seja transparente não apenas sobre como combater os abusadores, mas também sobre como proteger as vítimas desses comportamentos, garantindo que suas políticas sejam aplicadas de forma justa e clara.
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
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