Ubisoft é acusada de coleta ilegal de dados em jogos como Far Cry Primal
Ubisoft pode enfrentar penalidades severas por práticas de dados que violariam o GDPR.

A organização europeia NOYB – European Center for Digital Rights, conhecida por sua atuação em defesa da privacidade digital, assumiu recentemente um processo contra a Ubisoft, alegando que as práticas da empresa em relação à coleta de dados de jogadores não possuem uma base legal válida.
O caso foi motivado por um jogador que criticou o fato de Far Cry Primal, um jogo single-player, exigir conexão com a internet e login em uma conta da Ubisoft para ser jogado. O usuário, descrito como alguém "experiente em tecnologia", ficou surpreso ao perceber que não era possível acessar o jogo offline, mesmo ele não possuindo funcionalidades online.
Intrigado, o jogador resolveu monitorar os dados enviados ao jogar. De acordo com a documentação apresentada, ao iniciar o jogo e mantê-lo rodando por cerca de 10 minutos, foram detectados 150 pacotes DNS únicos e 56 tentativas de conexão entre o computador e servidores externos. Entre os destinatários desses dados estavam empresas como Google, Amazon e Datadog.
Questionada sobre o conteúdo desses pacotes, a Ubisoft alegou que se tratavam de verificações de propriedade, feitas para confirmar que a conta do jogador realmente possui o título em questão. Entretanto, a NOYB alega que a empresa não esclareceu suficientemente nem os propósitos exatos dessa coleta nem o motivo pelo qual os dados estariam sendo enviados a terceiros, como os servidores do Google.
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A denúncia afirma que essa forma de coleta de dados viola o Regulamento Geral de Proteção de Dados da União Europeia (GDPR) e propõe que a Ubisoft seja multada por afetar milhões de usuários com essas práticas. A NOYB vai além e compara o comportamento digital da empresa a uma "invasão" de privacidade, afirmando:
"Se você quiser entrar na casa de alguém, deve ser convidado. Caso contrário, é invasão. O mesmo princípio deve valer para o ambiente digital. Não pode haver um padrão diferente apenas por ser online."
A Ubisoft, por sua vez, respondeu que está ciente da reclamação e que está investigando os pontos levantados. Em declaração à Eurogamer, a empresa reafirmou seu compromisso com a proteção dos dados pessoais dos jogadores e destacou que, em jogos que possuem modo offline, a conexão com a internet é exigida apenas no primeiro lançamento — para validar a compra e vincular o jogo à conta. A empresa ainda mencionou seu Centro de Privacidade, que oferece ferramentas para que os usuários controlem seus dados e garantam transparência.
Esse episódio se soma a outro embate recente da Ubisoft, que, no início do mês, também foi alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos relacionada ao desligamento do jogo de corrida The Crew, lançado em 2014. A empresa entrou com um pedido para arquivar o caso na Califórnia.
As denúncias levantadas pela NOYB reacendem o debate sobre limites da coleta de dados nos games e o quanto os jogadores realmente sabem — ou consentem — com o que é feito em segundo plano quando simplesmente querem jogar.
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
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