Memórias e experiências não cabem apenas em um Top 10
Por que experiências únicas não cabem em tabelas e o que perdemos ao tentar numerar nossas memórias.

Entre a imprensa especializada ou em uma simples conversa em grupo de redes sociais, existe uma pergunta que é quase um ritual de passagem: "Qual é o seu jogo favorito de todos os tempos?". Se você trabalha na área ou apenas respira esse hobby, já deve ter sido encurralado por essa questão em algum momento. Espera-se que tenhamos uma lista mental pronta, organizada por notas, métricas de desempenho e impacto cultural, como se a nossa memória fosse uma tabela do Excel perfeitamente formatada.
Mas a verdade é que, quanto mais eu jogo, mais essa tarefa me parece não apenas difícil, mas fundamentalmente injusta.
Além da métrica
Vivemos em uma era de obsessão por tabelamento. Sites de agregadores de notas, listas de "Top 100" que mudam a cada semestre e discussões acaloradas sobre qual jogo merece o selo de "Melhor da Vida". Para muitos, essa organização é natural, quase uma necessidade de categorizar o mundo. Para mim, é uma barreira que limita a percepção do que os videogames realmente são: experiências únicas e independentes.
Ao colocar um título em primeiro lugar e outro em décimo, estamos criando uma competição artificial entre obras que, muitas vezes, nem sequer habitam o mesmo universo sensorial. Como comparar o impacto emocional de uma jornada indie minimalista com a grandiosidade técnica de um blockbuster de mundo aberto que joguei há duas décadas? Cada um desses jogos ocupou um espaço diferente na minha vida, em gerações de consoles distintas e em momentos pessoais que não se repetem.
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O peso da memória e do coração
Minha relação com os jogos é pautada pela liberdade. Prefiro guardar na memória e no coração o apreço que tive por cada obra, sem a necessidade de posicioná-la em uma métrica simplista. Existem jogos do mesmo gênero que adoro por motivos completamente opostos. Alguns me marcaram pela jogabilidade refinada; outros, por uma trilha sonora que ainda ecoa na minha mente, ou até por um erro de design que, naquele contexto, trouxe uma experiência inusitada.
Classificar algo como "o melhor de todos" ignora o impacto individual que cada título teve sobre mim. O jogo que me fascinou no Mega Drive não "perde" para o que me impressionou no hardware atual. Eles coexistem. São fragmentos de uma trajetória que não precisa de uma hierarquia para ter valor.
Jogue mais, compare menos
Hoje, vejo uma comunidade gamer muito vidrada em notas e rankings, tratando a arte como se fosse uma disputa esportiva de pontos corridos. Ficamos tão ocupados discutindo se um jogo é "9 ou 10" que esquecemos de simplesmente sentir o que ele tem a oferecer.
Minha sugestão para quem se sente pressionado a escolher favoritos ou a seguir o fluxo das tabelas é simples: apenas jogue. Deixe as sensações fluírem sem o filtro da comparação constante. Deixe que cada jogo seja lembrado pelo impacto que teve sobre você, e nada mais.
No fim das contas, a nossa história com os games não é uma lista numerada; é um mosaico de experiências que não precisa de primeiro lugar para ser inesquecível.
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
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