Mai: Child of Ages nos mostra quando a ambição tropeça no tempo
Um jogo feito com coração e imaginação, mas peca pelo ritmo e falta de acabamento.

Mai: Child of Ages é o tipo de jogo que chega com uma ideia boa o bastante pra te fazer acreditar nele. Um indie que quer falar de tempo, identidade e legado. Que te promete uma aventura emocional, puzzles inteligentes e duas protagonistas em uma só linha temporal. O problema é que, no meio do caminho, o relógio parece girar contra ele mesmo.
A proposta é simples de entender, mas profunda de executar: Mai, dividida entre sua versão jovem e adulta, precisa manipular o tempo pra reconstruir um mundo em ruínas. O jogo alterna eras, atmosferas e mecânicas de forma criativa, e logo de cara mostra o cuidado visual e narrativo da equipe. O contraste entre o passado verdejante e o futuro destruído é visualmente forte. As cores, as paisagens e os efeitos de luz mostram que, em direção de arte, o estúdio acertou.

Só que ser bonito e ser memorável são coisas diferentes. E é aí que Mai perde parte do brilho.
Os puzzles, que deveriam ser o coração da experiência, logo começam a repetir ideias. É aquele mesmo esquema: empurra objeto, congela o tempo, sobe plataforma, ativa alavanca. No início é instigante, depois vira mais um ritual de costume do que uma descoberta real. Falta ousadia, falta aquele clique mental que te faz pensar “genial”.

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A parte do combate tenta variar o ritmo, mas sofre do mesmo mal. As animações são duras, o impacto é superficial e a fluidez não acompanha a ambição do conceito. É funcional, mas não empolgante. O tipo de gameplay que não irrita, mas também não marca.
E aí vem o calcanhar de Aquiles de quase todo indie ambicioso: a parte técnica.
Há bugs que quebram o ritmo, travamentos aleatórios e até momentos em que itens essenciais simplesmente desaparecem do mapa. Isso, somado a uma navegação pouco intuitiva, transforma uma boa ideia em uma experiência irregular. É o tipo de problema que não mata o jogo, mas impede ele de alcançar algo maior.

Por outro lado, o som é uma das grandes forças. A trilha é lindamente composta, com temas que refletem o tom melancólico da história e reforçam cada mudança de era. É o tipo de trilha que dá alma a um jogo que, por vezes, parece perder o fôlego.
Mai: Child of Ages é uma obra feita com coração e imaginação, mas ainda não alcança o patamar que almeja. Há alma, há talento e há conceito. Só falta o acabamento. É como um relógio bonito que atrasa alguns minutos, você percebe o esforço, mas sente o descompasso.
Mai é um lembrete de que o tempo é precioso e no caso deste jogo, ele precisa de mais tempo pra se tornar realmente inesquecível.
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Lucas Ramires
Nashi
PC Gamer CLT que só quer jogar em paz.
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