Skelethrone te entrega uma jornada cheia de ossos e melancolia
A brutalidade e a arte são resultados de quando um metroidvania se encontra com o estilo soulslike.

Já sentiu melancolia só de iniciar um jogo? Sim, essa foi a impressão que Skelethrone me causou, justamente pela atmosfera que ele apresenta. O jogo não te explica tudo de início, mas o local em que seu protagonista desperta faz você se sentir perdido, sem saber o que esperar — além das ratazanas de 2 metros de altura. Quase todo o jogo carrega uma identidade visual e atmosfera única, e dele vou lembrar pela sensação singular de que ele vai passar por cima de você.
Enredo e Introdução do Personagem
"Meu nome é Derek… Derek Ericona. Não sei o que houve comigo, apenas que fui condenado. Não me lembro como vim parar nessa pilha de corpos e com essa carcaça esquelética, mas irei descobrir quem tramou contra mim."
Sim, essa seria uma leve introdução do personagem e do mundo que estamos conhecendo. O mundo dos mortos-vivos já é hostil por si só: ao explorar, somos presenteados com árvores com corpos empalados e espíritos hostis. Isso me lembrou da floresta de Mortal Kombat e de leves referências a Berserk. Você encara uma longa caminhada e o que mais encontra são tragédias. O mundo dos mortos-vivos é uma maravilhosa couxa de retalhos e brutalidades.

Arte e visual
A arte visual do jogo é linda e transmitiu todo o peso que eu precisava sentir. Não é à toa que admiro metroidvanias bem caprichadas, como o Castlevania: Symphony of the Night, Rondo of Blood e Shinobi: Art of Vengeance. A arte dos inimigos vai do grotesco, como ratos e criaturas quadrúpedes, ao irritante, como espíritos que só ficam esperando para te levar de arrasta.
Trilha sonora
A trilha sonora cumpre bem o papel de imersão: junta sua frustração com a música e, a cada morte, você no mínimo chora em posição fetal ou vai no ódio para matar as criaturas.

Jogabilidade e mecânicas
Esse é um metroidvania com aquela mistura de amor e muito ódio no estilo soulslike. Para quem já se aventurou em Dark Souls, sabe que larguei o controle mais de uma vez até entender o ritmo mais travado do jogo. Exige paciência com vários itens e combinações. O personagem se sente pesado, o que lembra Blasphemous.
Parte técnica e desempenho
O jogo no meu PS4 não teve nenhum problema de desempenho. A equipe que desenvolveu mandou muito bem, mesmo que eu me perdesse várias vezes em cada área que descobria.
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Combates e desafios
Soma aí: trilha sonora, um rato maior que seu personagem, espada quebrada, e uma ambientação que faz você dizer “what’s good”. Você morre na primeira tentativa, obviamente. Depois da décima morte, ou você já está depre e a música te joga naquela melancolia de domingo à noite, ou sai na raiva para massacrar os monstros. Os comandos são responsivos, mas você sente o peso do personagem mais travado. A stamina faz toda diferença, principalmente no começo, onde duas porradas podem acabar com você.

Progressão e transição de áreas
A travessia de área para área é equilibrada, as transições são suaves. O combate começa instantaneamente dependendo da criatura. É desafiador, exigindo atenção e paciência.
Quantidade de mortes e dificuldade
A quantidade de mortes você nem fica contando depois da primeira vez. O sistema segue como Demon’s Souls e Blasphemous: a cada morte, seus pontos ficam no local onde morreu e sua vida sofre uma redução no HP máximo. A quantidade de inimigos aumenta gradativamente e introduz novas mecânicas, como parry. A floresta foi um terror, com árvores que escondem ataques, espíritos que aparecem de repente e monstros que enganavam meu parry constantemente.

Experiência pessoal e considerações finais
Minha experiência foi uma montanha-russa: do doce da descoberta de uma área nova ao amargo de cada dois passos com 20 mortes contabilizadas. Espere um jogo que te coloca em aperto, seja com bosses invocando criaturas que te pegam na malícia do parry, ou trajetos que só são simples no nome. Você se sente atravessando o inferno enquanto está fraco e sem habilidades. E cuidado com o Mestre Splinter…
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
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