O fim do Japan Studio e a ausência do mercado para jogos AA
Shuhei Yoshida explica por que a Sony encerrou o Japan Studio.

O ex-executivo do PlayStation, Shuhei Yoshida, revelou que a falta de um mercado consolidado para jogos AA – aqueles com um orçamento superior aos títulos independentes, mas inferior aos grandes lançamentos AAA – foi o principal motivo para o fechamento do Japan Studio da Sony. Em uma entrevista concedida ao podcast Sacred Symbols PlayStation (transcrição via VGC), Yoshida compartilhou detalhes sobre sua experiência no comando de estúdios japoneses e sua tentativa de impulsionar grandes lançamentos na região.
Um dos pontos levantados pelo ex-executivo foi a escassez de títulos AAA e AA de estúdios japoneses no PS5. Ele destacou que um dos maiores desafios enfrentados foi a dificuldade de estabelecer um jogo de serviço ao vivo bem-sucedido, algo que considera uma de suas falhas.
"Durante meu tempo na Sony, muitas pessoas me dão crédito, mas houve duas coisas em que eu não fui bem-sucedido: criar um jogo de serviço ao vivo de sucesso e garantir que houvesse grandes lançamentos japoneses bem-sucedidos", explicou Yoshida. "Além de Gran Turismo, tivemos diversos produtos excelentes, mas não títulos AAA altamente lucrativos. Conforme os grandes jogos ficaram ainda maiores, os indies preencheram a lacuna, enquanto o mercado AA praticamente desapareceu."
Essa declaração ressoa fortemente, pois muitos dos títulos desenvolvidos pelo Japan Studio eram classificados como AA. Isso inclui franquias como Gravity Rush e Knack, além de títulos mais antigos e de nicho, como Soul Sacrifice, sem esquecer de clássicos aclamados como Ico e Ape Escape.
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"A maior parte das IPs do Japan Studio estava nesse segmento de jogos AA, e o mercado se tornou extremamente desafiador para esse tipo de produção", afirmou Yoshida. "Por exemplo, depois de Gravity Rush 2, o diretor Keiichiro Toyama tentou criar um novo conceito, mas não conseguimos aprovar nenhum dos seus projetos, mesmo sendo incrivelmente interessantes."
Yoshida destacou que, com o direcionamento da Sony para grandes lançamentos AAA, as ideias de Toyama não se encaixavam mais na estratégia da empresa, tornando inviável qualquer suporte para seus projetos futuros.
"Na minha perspectiva, o jogo que ele queria desenvolver não parecia algo que a Sony estaria disposta a apoiar. A empresa buscava apenas títulos AAA, e tivemos dificuldades para viabilizar o projeto", disse Yoshida. "Quando o Japan Studio foi fechado e ele se tornou independente, Toyama finalmente conseguiu desenvolver e lançar Slitterhead."
Nos últimos dois meses, Yoshida tem discutido extensivamente seus 31 anos na Sony. Desde sua saída oficial em janeiro, ele revelou como fez a transição para trabalhar com desenvolvedores independentes, ao mesmo tempo em que divergia das prioridades da Sony em relação aos jogos de serviço ao vivo. A empresa, por sua vez, obteve resultados mistos nessa área, com o sucesso de Helldivers 2 contrastando com fracassos como Concord.
Com o Japan Studio encerrado desde 2021, o único legado restante do estúdio dentro da Sony é o Team Asobi, que continua a entregar experiências inovadoras, como no desenvolvimento da franquia Astro Bot.
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
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