Um jogo feito com coração e imaginação, mas peca pelo ritmo e falta de acabamento.

Mai: Child of Ages é o tipo de jogo que chega com uma ideia boa o bastante pra te fazer acreditar nele. Um indie que quer falar de tempo, identidade e legado. Que te promete uma aventura emocional, puzzles inteligentes e duas protagonistas em uma só linha temporal. O problema é que, no meio do caminho, o relógio parece girar contra ele mesmo.
A proposta é simples de entender, mas profunda de executar: Mai, dividida entre sua versão jovem e adulta, precisa manipular o tempo pra reconstruir um mundo em ruínas. O jogo alterna eras, atmosferas e mecânicas de forma criativa, e logo de cara mostra o cuidado visual e narrativo da equipe. O contraste entre o passado verdejante e o futuro destruído é visualmente forte. As cores, as paisagens e os efeitos de luz mostram que, em direção de arte, o estúdio acertou.

Só que ser bonito e ser memorável são coisas diferentes. E é aí que Mai perde parte do brilho.
Os puzzles, que deveriam ser o coração da experiência, logo começam a repetir ideias. É aquele mesmo esquema: empurra objeto, congela o tempo, sobe plataforma, ativa alavanca. No início é instigante, depois vira mais um ritual de costume do que uma descoberta real. Falta ousadia, falta aquele clique mental que te faz pensar “genial”.

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A parte do combate tenta variar o ritmo, mas sofre do mesmo mal. As animações são duras, o impacto é superficial e a fluidez não acompanha a ambição do conceito. É funcional, mas não empolgante. O tipo de gameplay que não irrita, mas também não marca.
E aí vem o calcanhar de Aquiles de quase todo indie ambicioso: a parte técnica.
Há bugs que quebram o ritmo, travamentos aleatórios e até momentos em que itens essenciais simplesmente desaparecem do mapa. Isso, somado a uma navegação pouco intuitiva, transforma uma boa ideia em uma experiência irregular. É o tipo de problema que não mata o jogo, mas impede ele de alcançar algo maior.

Por outro lado, o som é uma das grandes forças. A trilha é lindamente composta, com temas que refletem o tom melancólico da história e reforçam cada mudança de era. É o tipo de trilha que dá alma a um jogo que, por vezes, parece perder o fôlego.
Mai: Child of Ages é uma obra feita com coração e imaginação, mas ainda não alcança o patamar que almeja. Há alma, há talento e há conceito. Só falta o acabamento. É como um relógio bonito que atrasa alguns minutos, você percebe o esforço, mas sente o descompasso.
Mai é um lembrete de que o tempo é precioso e no caso deste jogo, ele precisa de mais tempo pra se tornar realmente inesquecível.
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Lucas Ramires
Nashi
PC Gamer CLT que só quer jogar em paz.
Com temas psicológicos pesados, Silent Hill f é uma obra incrível que te atinge em cheio a cada passo.

Em Silent Hill f, somos lançados no coração do Japão dos anos 60, onde a colegial Hinako Shimizu é a única luz em Ebisugaoka, uma cidade devorada por uma névoa ancestral e malévola. Ao longo de uma jornada que facilmente ultrapassa as 15 horas de agonia, o jogador não apenas guia Hinako, mas sente a pele rasgar a cada confronto. É uma peregrinação de luta, lágrimas e gritos silenciados, onde a salvação de si mesma, de sua família e amigos exige que ela esmague aberrações que desafiam a sanidade. A narrativa é uma serpente venenosa que nunca rasteja para onde se espera, tecendo uma tapeçaria de tensão insuportável e repulsa visceral que, paradoxalmente, nos força a seguir em frente.

A corrupção visceral e seus gatilhos psicológicos
Ebisugaoka, no início, é um sepulcro abandonado, habitado apenas por Hinako, três aliados e um bestiário de horrores indescritíveis. A névoa, densa e doentia, desce enquanto um crescimento nojento e malevolente espalha sua corrupção biológica por onde toca. A profundidade do horror se estende para além do físico, tocando em temas perigosamente pesados, como abuso mental, físico e de drogas. É mandatório um aviso: o jogo é um campo minado de gatilhos emocionais. A estranheza que emana da tela é palpável; o instinto primário é o de arrancar Hinako daquela tortura o mais rápido possível, enquanto ela salta entre a realidade fraturada e pesadelos enraizados na tradição japonesa.

O combate brutal e a efemeridade do arsenal
A sobrevivência aqui é uma questão de corpo a corpo implacável. O luxo de ataques à distância é negado. Hinako deve confiar em um arsenal de armas improvisadas — canos, tacos de beisebol, marretas — ferramentas de violência que são, ironicamente, terrivelmente efêmeras. Sua curta durabilidade exige uma gestão de recursos cruel. Será preciso caçar novas armas ou, em um apego desesperado, usar kits de ferramentas para remendar a que se tem.
O combate é uma dança brutal que se apoia na esquiva cirúrgica e no contra-ataque letal. Não há espaço para facilidades. A tensão é uma garra apertando o pescoço. O sucesso é crucial para manter a saúde, o vigor e, de forma vital, a sanidade de Hinako. A mecânica de desvio é peculiar e técnica: certos ataques inimigos induzem uma aberração cromática fugaz, o indicador visual para o desvio perfeito. Acertar o timing permite desferir golpes de dano massivo com uma regeneração total de resistência.

A sanidade como moeda de sobrevivência
Um mecanismo central e atormentador é o medidor de sanidade. Ao acionar o gatilho esquerdo, Hinako pode sacrificar sua clareza mental para desferir um ataque poderoso ou ganhar uma janela de defesa estendida. A sanidade é corroída pelos rugidos desmoralizantes dos inimigos; se esgotada, o preço é pago com a perda de saúde.
O jogo equilibra a carnificina com enigmas envolventes, que exigem a interação meticulosa com objetos e a leitura atenta de documentos. A progressão frequentemente depende de salas de combate obrigatório que guardam relíquias essenciais. O título oferece níveis de dificuldade separados para combate e puzzles, mas mesmo no modo história, o jogador é forçado a pensar; as soluções não serão entregues.
A gestão de inventário é um exercício de paranoia, devido ao espaço limitado. Cada cápsula de medicamento e item de recuperação devem ser calculados. A expansão da bolsa de equipamentos é uma prioridade urgente.

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O deslumbre da putrefação
A jogabilidade é simples e objetiva, um clássico de terror de sobrevivência que se recusa a reinventar a roda, focando na execução impecável. Hinako, apesar do temor interior, demonstra uma valentia desesperada contra as monstruosidades repulsivas: criaturas que brandem lâminas e vomitam gosmas. A repulsa é intencional.
Visualmente, Silent Hill f é um deslumbre arquitetônico dos anos 60. As construções são detalhadas de forma magistral, banhadas por uma iluminação estonteante que persiste mesmo sob o véu da névoa. A beleza do cenário contrasta com o medo espreitando em cada sombra.

Rodando na Unreal Engine 5, o jogo levanta as inevitáveis dúvidas sobre otimização. No Xbox Series S, a performance se manteve em quase 30fps constantes, com engasgos mínimos e aceitáveis nas cutscenes maravilhosas e em certos carregamentos de área.
Apesar de relatórios técnicos sobre uma baixa resolução interna, a saída visual para o usuário é impressionante. O uso de técnicas de upscaling é de tal forma consistente que a imagem final é limpa, clara e visualmente bem entregue, com pouquíssimos artefatos em um monitor 1080p. A ausência de bugs que prejudicaram a jornada é uma rara proeza técnica nos dias atuais.
A imersão sonora é total. A dublagem original em japonês é sensacional e mandatória. O design de som ambiental é um trabalho de mestre; estalos, o som de órgãos internos em funcionamento, sussurros, gritos e lamentos se combinam para criar uma atmosfera insólita. A trilha sonora é um componente essencial e emocional, pontuando a jornada com melancolia, tristeza, medo e a fúria necessária.

Uma angústia de escolha e consequência
A jornada de Hinako é implacável, repleta de assuntos pesados e reviravoltas chocantes. Há momentos onde desviar o olhar é um ato instintivo, dada a quantidade atenuante de sangue, vísceras e horrores. O terror é potencializado pela vulnerabilidade inicial da protagonista.
Silent Hill f é simultaneamente aterrorizante e fantástico. Com múltiplas perspectivas de desfechos, este conto angustiante de escolha e consequência é uma experiência que deve emocionar e enojar até o veterano mais calejado do terror de sobrevivência.
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
A brutalidade de ser um Space Marine em um dos melhores boomer shooters modernos.

O rugido do bolter ecoa em nome do Imperador.
Desde o primeiro segundo, Boltgun não te dá tempo de pensar, apenas reagir. O jogo começa e te joga em um combate frenético atrás do outro, e a intensidade só aumenta até o final. Cada confronto é uma tempestade de chumbo sagrado e sangue profano. Poucos jogos conseguem traduzir tão bem o que é ser um Space Marine: o soldado supremo da humanidade, um colosso de poder, peso e brutalidade.
O visual em 2.5D é simplesmente impecável. A pixel art é detalhada, viva, e cada cenário exala o estilo gótico-industrial que define o universo Warhammer 40K. Os ambientes são variados — forjas, ruínas, templos — e todos parecem saídos direto de uma pintura de pesadelo tecno-religioso. É um dos trabalhos visuais mais caprichados já vistos em um boomer shooter moderno.

A trilha sonora é uma missa de destruição. Riffs e batidas alimentam o ritmo da batalha enquanto os efeitos sonoros das motosserras aos bolters despedaçando demônios do Caos criam uma sinfonia gloriosa. É impossível jogar sem sentir o sangue ferver a cada disparo.
A história é simples, como deve ser: um planeta forja invadido por demônios do Caos, e tua missão é purificar tudo que respira. Serve como o combustível necessário para transformar cada batalha em uma cruzada pessoal.

No campo da jogabilidade, Boltgun é um espetáculo. Ele honra o legado de DOOM e Quake, entregando uma experiência rápida, brutal e viciante. O desafio é bem calibrado, forçando o jogador a alternar armas e estratégias constantemente. Cada inimigo exige uma abordagem diferente, e isso mantém o ritmo eletrizante.

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Tecnicamente, o jogo é exemplar: leve, estável e bem otimizado. Roda até em máquinas mais modestas sem perder o impacto visual ou fluidez, um feito raro hoje em dia. Ele não reinventa a roda, mas faz o que se propõe com tanta maestria que termina deixando um vazio quando acaba.
O arsenal é um dos grandes destaques: cada arma tem peso, propósito e design perfeitamente condizente com o universo 40K. Usá-las é quase uma liturgia e cada disparo soa como uma prece respondida.

Os inimigos, por sua vez, são variados e bem construídos. Chefes com design marcante e hordas de demônios que te obrigam a pensar rápido. O level design é um tanto linear, mas direto, funcional e cheio de ritmo. A progressão é intuitiva e cada novo ambiente mantém a sensação de avanço e conquista.
A DLC segue o mesmo espírito: não tenta reinventar nada, apenas entrega mais do que já era excelente. Novas armas, inimigos e mapas mantêm o padrão de qualidade e elevam o desafio sem torná-lo injusto. É o tipo de expansão que mostra respeito pelo jogador.

Ao final, Boltgun + DLC deixa uma sensação de êxtase. Um dos melhores boomer shooters modernos e, para qualquer fã de Warhammer, uma celebração gloriosa. Se este jogo é um prenúncio do que vem por aí, que o Imperador nos proteja, porque o futuro será sangrento e magnífico.

"Muito mais que Warhammer 40K é o rugido do Imperador ecoando através do bolter. Que este seja apenas o início de algo muito maior."
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Lucas Ramires
Nashi
PC Gamer CLT que só quer jogar em paz.
Um jogo de "navinha" com potencial ignorado e falhas técnicas.

Sky of Destruction é um jogo com uma gameplay legal, mas extremamente vazio e raso. O estúdio por trás dele é a Satur Entertainment, que adora fazer jogos de “navinha”.
História
Inexistente. O jogo não faz questão de te explicar quem você é, o que está fazendo, quem são seus inimigos, nem mesmo sabemos aonde estamos, pois apenas selecionamos em qual mapa desejamos jogar antes de começar uma run. As únicas informações que temos são os pop-ups de tutoriais que aparecem no início do game e mal te explicam as mecânicas que usaremos. Por não termos contato com pessoas, o game acaba passando uma sensação de vazio absoluto.

Gameplay
É o ponto alto do jogo, se é que posso chamar assim. A gameplay de Sky of Destruction é boa; nela podemos controlar aviões, atirar, comandar as nossas tropas (seja para atacar, defender ou caçar inimigos) e escolher quais tipos de tropas queremos na nossa base. Ela combina bem com o gênero do jogo, porém possui alguns pontos a melhorar, como a responsividade dos mísseis, que apenas aparecem em locais aleatórios e não aonde estamos mirando, e a falta de diversidade das naves, visto que podemos fazer melhorias e encaixar peças novas, mas que não aparentam mudar tanto assim durante o combate. A pior parte da gameplay desse jogo está na navegação dos menus: os comandos não respondem bem e não podemos usar o Dpad (setinhas para os mais íntimos).

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Gráficos
Os visuais do jogo são ok, mas extremamente repetitivos. Todas as naves e construções presentes são iguais e só alteram as cores ou a distribuição pelo mapa. Os gráficos são feios e parecem ter saído diretamente do Playstation 2. Alguns cenários são até agradáveis e vão mudando conforme vamos avançando na run, mas que não alteram em nada da gameplay, servindo apenas como planos de fundo dinâmicos.

Trilha Sonora
O jogo conta com poucas músicas que vão se repetindo em looping dependendo de onde estamos (por exemplo, uma música quando estamos no menu, outra quando estamos em combate, e assim por diante). Pelo menos a trilha sonora não é chata ou incomoda a ponto de tirar o som do jogo.

Qualidade Técnica
Há alguns pontos que eu gostaria de ressaltar sobre a qualidade técnica deste game. Encontrei poucos bugs que chegam a ser engraçados. Às vezes temos rochas muito altas no jogo e podemos bater nelas; certa vez, um grupo de inimigos estava atirando em uma dessas rochas de um lado e um grupo de aliados estava atirando do outro lado e ninguém se acertava. Eu mesmo já fiquei preso nessas pedras algumas vezes, mas nada que estragou a minha jogatina.

Considerações Finais
Estão pedindo 12 dólares por este jogo, é quase o mesmo preço de Hollow Knight Silksong. Eu não gosto de discutir precificação, pois isso é colocar valor no trabalho de outra pessoa, mas acho um valor injusto visto que o game está mais para um protótipo do que um produto finalizado. Eu zerei o game em menos de duas horas e achei ele extremamente fácil, principalmente depois de desbloquear os mísseis, já que eles acabam com qualquer coisa como se fosse nada.
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Ramon
Hardt
Sou apaixonado por jogos desafiadores e jogos de luta, meu objetivo sempre é aproveitar ao máximo o que eu estou jogando
A releitura mágica que mistura a nostalgia de Donkey Kong Country e Crash Bandicoot em um jogo vibrante e incrível.

Se você, assim como eu, carrega a doce memória dos 16-Bits e vibrou com o lançamento de Donkey Kong Country – aquela revolução visual e jogabilidade impecável – ou deslizou e girou pelos polígonos dos 32-Bits com Crash Bandicoot, prepare-se para uma viagem de volta que é, ao mesmo tempo, fresca e familiar. Nikoderiko: The Magical World - Director's Cut não se contenta em apenas homenagear essas lendas, ele bebe diretamente em suas fontes com uma sede revigorante, entregando uma experiência que é, ouso dizer, sólida e profundamente satisfatória.

Na pele de Niko ou Luna, dois mangustos em uma aventura épica contra os Cobritos, o jogo estabelece imediatamente seu charme. O jogo permite encarar a aventura sozinho ou num velho um co-op de sofá que resgata um aceno caloroso aos tempos em que sentar lado a lado com um amigo era a única forma de dividir a alegria de um videogame. Os mundos são um deleite visual: de selvas exuberantes a cavernas misteriosas, cada cenário é incrivelmente convidativo. A arte é um show à parte, com uma paleta de cores vibrante que salta da tela, lembrando-nos que beleza e encantamento podem florescer até nas áreas mais escuras.

A maior virtude e o ponto alto da atualidade de Nikoderiko reside em sua ousada mistura de perspectivas. A transição fluida do tradicional side scrolling, que nos remete diretamente ao ritmo viciante de Donkey Kong Country, para momentos 3D com a câmera fixa, onde corremos para ou contra a tela no estilo Crash Bandicoot, é simplesmente genial. Esta jogabilidade híbrida mantém o ritmo dinâmico e surpreendente, honrando as técnicas clássicas de seus antecessores, mas as apresentando com um brilho moderno.
Os visuais são reforçados por animações excelentes e um uso sofisticado de efeitos de luz, sombra e reflexos, que dão um toque moderno e um certo realismo – uma prova de que o saudosismo pode ser tecnologicamente avançado.

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E o que dizer do som? A inclusão de David Wise na trilha sonora é um gol de placa, um endosso de peso que não pode ser ignorado. A mente por trás das melodias inesquecíveis de Donkey Kong Country e Battletoads entrega músicas espetaculares, criando uma atmosfera sonora rica que é, por si só, uma carta de amor aos clássicos. Some-se a isso uma dublagem em português brasileiro charmosa demais, que injeta personalidade e carisma nos personagens, e temos uma experiência imersiva de ponta a ponta.

No entanto, nem tudo é perfeição nostálgica. O jogo, embora leve e com fases que buscam ser objetivas, deixa um "gostinho de quero mais". A simplicidade e a sequência fácil de memorizar dos chefes de fase não chegam a reinventar a roda. São batalhas básicas que cumprem seu papel, mas poderiam ter tido um desafio mais profundo ou uma duração mais consistente.
A jogabilidade, o coração de qualquer plataformer, tem seus pequenos deslizes. É inegável que, em momentos frustrantes, o balanceamento entre o comando do jogador e a agilidade na tela não corresponde 100%. Colisões falhas contra inimigos ou em pulos de plataforma não são frustrantes, mas são notáveis. Felizmente, a ajuda de amigos animais adiciona uma camada divertida e funcional para a exploração.

Tecnicamente, o uso da Unreal Engine é bem-feito, mas os longos carregamentos entre o mapa e as fases são, sem rodeios, bem chatos. É um ponto fraco que quebra a imersão e sugere que o trabalho de otimização, apesar de o jogo rodar majoritariamente a 60fps (com raras e momentâneas quedas), poderia ser melhor.
Apesar dos pequenos tropeços técnicos e ajustes de gameplay necessários, Nikoderiko: The Magical World - Director's Cut é uma celebração magistral de duas gerações de plataformers. Ele é a prova viva de que a fórmula clássica – aliada a um visual estonteante, uma trilha sonora lendária e personagens extremamente cativantes tem potencial ilimitado.

Para quem ama os desafios 2D e 3D do passado, este jogo não é apenas um "vale a pena", é uma aquisição obrigatória. Ele nos envolve em seu mundo mágico, um lugar de onde, sinceramente, não gostaríamos de sair nunca.
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
Terror consistente, atmosfera imersiva e um nível técnico surpreendente em um roguelike fiel à essência.

Bendy: The Lone Wolf entrega exatamente o que promete: uma experiência sólida, consistente e completamente fiel à essência sombria do universo Bendy. Mesmo sendo um spin-off, o jogo mostra que a fórmula pode se expandir para outros gêneros sem perder identidade e o resultado é, sinceramente, surpreendente.
Jogabilidade
A perspectiva isométrica com controles de estilo tanque lembra os clássicos do terror, o que pode causar certa estranheza no início. Mas depois de alguns minutos, tudo flui de forma natural, e o jogador se adapta rapidamente ao ritmo tenso e cadenciado das fases.
As missões seguem uma estrutura simples: coletar itens para ativar o elevador, procurar chaves de campanha e sobreviver ao temido Ink Demon. As fases são curtas, diretas e bem desenhadas o bastante para divertir sem se tornar repetitivo.
O jogo não tenta reinventar o gênero, mas domina o básico com maestria. É um bom “feijão com arroz”, mas com tempero próprio e isso faz toda a diferença.

Narrativa e Ambientação
A história é contada por meio de gravações, documentos e flashbacks das memórias dos personagens. Esse estilo de narrativa exige que o jogador tenha algum conhecimento prévio da lore, o que pode afastar quem está chegando agora. Ainda assim, para quem se aprofunda no universo, o jogo é um verdadeiro presente.
Cada cenário do Estúdio ao Descanso dos Artistas, até os Túneis tem um design visual único e conversa com a mitologia da série. O level design é inteligente, equilibrando bem a exploração com o terror constante de nunca saber o que está te observando.

Som e Atmosfera
Aqui, Bendy: The Lone Wolf brilha. O som ambiente é o verdadeiro vilão do jogo: passos se aproximando, sussurros na escuridão, o rugido do Ink Demon ecoando pelos corredores. A trilha sonora casa perfeitamente com o estilo visual e amplifica o terror psicológico.
O resultado é uma imersão absurda — a tensão é constante, e o medo de virar a próxima esquina é real.

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Desempenho Técnico
O jogo é extremamente leve e bem otimizado. Rodei em um i5-12400F, 32GB de RAM e uma RTX 4060 com desempenho impecável, carregamentos rápidos e menus responsivos. O único limite é o frame rate travado em 60 FPS, o que não atrapalha em nada a experiência.
Tudo roda com suavidade, mostrando que o estúdio sabe entregar um produto polido mesmo dentro das limitações do gênero.

Exploração e Progressão
A progressão é simples, mas eficaz. Cada avanço depende da exploração e o jogo recompensa isso de forma justa. Encontrar upgrades, coletar memórias e desbloquear novos trechos da história mantém o jogador preso no ciclo de “só mais uma fase”.
Mesmo quando certas partes parecem apenas preencher tempo, o ritmo rápido e o formato curto das fases impedem o tédio.

Conclusão
Como meu primeiro contato com a série Bendy e também com o gênero roguelike, The Lone Wolf foi uma surpresa positiva. Ele expande a mitologia original, se encaixando perfeitamente entre os eventos do primeiro jogo, e entrega uma narrativa paralela bem construída.
Não é um jogo ambicioso nem cheio de novidades e nem precisa ser. Ele sabe o que quer ser e entrega isso com confiança: terror, atmosfera e uma boa dose de imersão.
Se você é fã da franquia, é obrigatório. Se nunca jogou nada da série, é uma excelente porta de entrada para o mundo sombrio da tinta.
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Marcos Paulo I. Oliveira
MPIlhaOliveira
Uma obra-prima indie que nos cativa com sua beleza e melancolia.

Hollow Knight foi o primeiro jogo produzido pela Team Cherry, uma empresa indie com apenas 3 pessoas envolvidas em seu desenvolvimento. Em pouco tempo, o jogo conquistou os corações de milhões de pessoas ao redor do mundo. Com o lançamento de Hollow Knight Silksong, eu retornei ao primeiro jogo, já que tinha tentado iniciá-lo diversas vezes, mas nunca o tinha zerado. E aqui está o meu primeiro arrependimento: ter desistido tantas vezes no passado. Hollow Knight é um jogo extremamente amado por milhões de fãs, e eu atualmente sou um deles. O que mais me cativou foi sua simplicidade e, ao mesmo tempo, sua complexidade, sem mencionar seu estilo de arte marcante, totalmente feito à mão.

Enredo
Hollow Knight bebe muito da fonte do gênero soulslike, visto que a história está escondida por trás da descrição de itens, diálogos confusos e em sua ambientação melancólica e, de uma certa forma, pós-apocalíptica. Logo no início, somos apresentados ao nosso protagonista, o Knight, que nada mais é que uma espécie de casulo vazio criado pelo Rei Branco de Hallownest para lutar contra uma infecção que se espalhou e destruiu o reino. Durante a jornada, vamos conhecendo personagens que vieram ao reino, cada qual com seu propósito, por exemplo: Quirrel, que estava em busca de entender seu passado e recuperar suas memórias; Cornifer, que é um inseto aventureiro e seu trabalho é mapear áreas, nos ajudando ao vender seus mapas e facilitando nossa exploração; e muitos outros personagens interessantes e cativantes.

Gameplay
O jogo é um metroidvania com grande inspiração nos jogos da FromSoftware, portanto, prepare-se para passar por muitos apertos contra chefes únicos e desafiadores, ficar perdido e se frustrar diversas vezes. O que eu disse pode afastar novos jogadores, mas eu recomendo fortemente ao menos dar uma chance ao game, pois mesmo tendo um desafio acima da média, é possível se divertir e se apaixonar pelo jogo. As mecânicas do jogo são bem simples: nele podemos andar, pular, atacar, usar poderes especiais e nos curar, o que consome almas. Como todo bom metroidvania, desbloquear novos movimentos e ataques facilitam demais a nossa vida. Apesar da simplicidade, o estúdio soube aplicá-las muito bem no game.

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Gráficos e visuais
Como disse anteriormente, as artes desse game foram feitas à mão, algo impressionante dada a quantidade e a qualidade dos detalhes presentes no jogo. Tudo nele é bonito e triste, o que cria um contraste absurdamente lindo, com um destaque à minha área favorita: a Cidade das Lágrimas, que, mesmo durante o fim do mundo, manteve sua elegância e beleza intactas. Os designs dos inimigos e personagens são muito diversificados e cheios de personalidade. Todos os inimigos são adaptados para o ambiente onde se encontram, o que cria a sensação de que os seres daquele determinado ambiente se desenvolveram para conseguir sobreviver ali, como por exemplo no Caminho Verde, onde os moradores desenvolveram a capacidade de se camuflar junto à grama. Algo que incrementa na imersão e colabora para a identificação do jogador com o ambiente em que ele está.

Trilha sonora
As músicas cumprem bem o seu papel, combinam com a ambientação do jogo e transmitem muito bem as emoções dos lugares que visitamos, o que traz a sensação de que o mapa é um ser vivo em deterioração devido à infecção estar se espalhando. Algumas áreas nos trazem paz e outras a sensação de perigo e angústia. As lutas com chefes também possuem músicas únicas e transmitem muito bem a sua condição mental e física. Gostaria de ressaltar a luta contra o Defensor do Esterco e a luta/dança contra os Mestres Louva-a-Deus.

Qualidade técnica
Durante a minha jogatina, não tive um bug sequer. A Team Cherry está de parabéns pelo primor técnico em seus jogos.

Considerações finais
O jogo é diferente para cada um que o joga, cada jogador tem seu próprio ritmo e sua maneira de jogar, algo que pouquíssimos jogos conseguem fazer tão bem. Na minha opinião, Hollow Knight merece seu lugar no panteão de jogos indie e a Team Cherry merece estar no Olimpo dos videogames. Por mais que o estúdio demore a publicar seus jogos, fica evidente o amor que os desenvolvedores depositam em suas criações. Estou ansioso para conhecer Silksong e ver mais desse universo tão rico.
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Ramon
Hardt
Sou apaixonado por jogos desafiadores e jogos de luta, meu objetivo sempre é aproveitar ao máximo o que eu estou jogando
A Supergiant Games não decepciona, superando expectativas e elevando o nível de um dos melhores jogos já criados.

A SuperGiant Games, para quem não conhece, é o estúdio por trás de um dos melhores jogos já feitos, Hades, e hoje estarei analisando a sua continuação. Deuses, combate rápido, magias, plot twists, uma direção de arte fenomenal e uma trilha sonora de tirar o fôlego é o que resumem esse jogo. Eu gostaria de falar que Hades 2 é mais uma grande surpresa de 2025, mas eu já esperava algo grandioso vindo da Supergiant Games e eles atingiram todas as minhas expectativas.
Enredo e Narrativa
O jogo nos conta a história de Melínoe, uma deusa menor filha de Hades e Perséfone, mas que foi afastada de sua família durante a infância e foi encontrada e criada pela deusa Hécate, que a ensinou os caminhos da magia e bruxaria desde cedo. Em um certo momento Cronos, o titã do tempo, escapa de sua prisão e consegue conquistar o submundo, assim usurpando o trono do deus dos mortos, também sequestrou toda a família da Melínoe, Hades, Perséfone e Zagreus, e ameaça a destruir todo o Olimpo e seu panteão com uma guerra de proporções catastróficas. Melínoe, com a ajuda dos deuses e figuras mitológicas, então parte em uma missão impossível, descer ao submundo para caçar e eliminar Cronos, para assim vingar seu pai, recuperar o trono e evitar que a destruição do mundo.

Gameplay
Por ser um roguelike, prepare-se para morrer, renascer e enfrentar os mesmos inimigos diversas vezes, mas ao mesmo tempo evoluindo suas habilidades, desbloqueando novas armas e conhecendo deuses que te auxiliam concedendo bençãos que alteram seus atributos, como por exemplo a Héstia que aplica dano de fogo, ou Hefesto que acrescenta dano de explosão. O jogo mantém a gameplay semelhante à de seu antecessor, com algumas alterações, nele podemos andar, esquivar, correr, usar ataques rápidos, ataques especiais, conjurar magias e ataques carregados, que utilizam mana para serem fortificados. Outra adição muito bem vinda é a mecânica de upgrades, podemos tanto produzir encantamentos com recursos encontrados durante a jornada, quanto liberando arcanos. Os encantamentos servem para desbloquear estruturas novas, como mercador, pets e muito mais, já os arcanos são usados para melhorar a protagonista de forma mais direta, como aumentar a velocidade, dar uma vida extra e etc.

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Gráficos e Visuais
Hades 2 ao mesmo tempo que mantém o mesmo estilo de arte, eleva o nível em relação ao primeiro game, mas sem perder a essência. Algo que chama bastante a atenção é a mudança significativa na aparência e na personalidade dos olimpianos e na adição de novos membros ao elenco, incrementando a diversidade e ampliando o universo adaptado pelo estúdio. O que eu quero dizer aqui é que a Supergiant consegue deixar sua marca mesmo em algo já conhecido e explorado há muito tempo, que é a mitologia grega.

Trilha Sonora
Acho que posso falar com propriedade que em 2025 a trilha sonora dos games ganhou bastante destaque e em Hades 2 não é diferente, as músicas que escutamos durante as bossfights são incríveis, em destaque a música das sereias, que possui uma mecânica única: as sereias são uma banda e quando eliminamos alguma integrante a música muda até restar nenhuma na arena e o heavy metal que escutamos enquanto enfrentamos o Cérberus e seus movimentos são coreografados e casam perfeitamente com a música.
Qualidade Técnica
Durante a gameplay tive apenas um bug, durante a luta contra as sereias, uma das inimigas ficou presa no lado de fora da arena e acabou morrendo, de resto não encontrei mais bugs.

Considerações Finais
Hades 2 é incrível e merece toda a atenção e carinho que vem recebendo, quem não conhece o gênero pode se divertir tranquilamente com o modo divindade que facilita bastante o jogo e quem já é experiente e quer um desafio também tem seu espaço, já que o jogo elevou também a régua da dificuldade em relação a seu antecessor. Demorei bastante até me acostumar com as armas novas e com as mecânicas que foram alteradas e isso é bom, o jogo te força a aprender e a utilizar 100% do que ele oferece. Gostei demais da protagonista, ela é muito diferente do Zagreus e seus relacionamentos chamam bastante atenção, visto que as personalidades dos deuses tiveram mudanças é muito legal e satisfatório conversar com eles e aprimorar o nível de relacionamento.
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Ramon
Hardt
Sou apaixonado por jogos desafiadores e jogos de luta, meu objetivo sempre é aproveitar ao máximo o que eu estou jogando
Um simulador de apocalipse que transforma triagem de zumbis em comédia e caos, mas que brilha mais na companhia de amigos.

“Bem-vindo ao SUS – Sistema Único de Saúde no fim do mundo”. Brincadeiras à parte, o jogo já começa com uma proposta bem peculiar: você é um médico responsável por avaliar pacientes em meio a um apocalipse zumbi. O pré-enredo coloca você na função de identificar possíveis sinais de infecção em cada sobrevivente – olhos vermelhos, mordidas, pele alterada, ferimentos suspeitos – e decidir o destino de cada um:
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Sobreviventes aptos → vão para o campo seguro.
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Casos suspeitos → são mandados para a quarentena.
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Infecção clara → “campo gratuito do Vasco da Gama”.
Essa mecânica de triagem cria momentos engraçados e tensos. Eu mesmo, distraído, mandei um paciente saudável direto pro “vai de arrasta” e gargalhei do vacilo.
Além disso, você precisa coordenar recursos como comida, combustível e medicamentos enquanto administra o campo de sobreviventes, o que adiciona um desafio estratégico à experiência.
Jogabilidade
A jogabilidade é simples, mas cheia de potencial para situações cômicas. É fácil cometer deslizes, e isso só aumenta a diversão, principalmente se você estiver jogando enquanto conversa com um amigo.
Você pode acabar mandando um infectado para o campo seguro ou, por distração, “executar” pacientes na ala médica. (Sim, sou um péssimo médico no fim do mundo, pode me julgar 😅)
O jogo equilibra simples mecânicas de triagem com um desafio constante de gerenciar recursos, tornando cada decisão relevante e divertida.
Atmosfera e Som
A atmosfera funciona muito bem: você sente o peso de estar em um apocalipse zumbi, administrando pacientes, recursos e sobreviventes. No entanto, a música acabou quebrando um pouco essa imersão. Em vez de sentir o clima sombrio do fim do mundo, às vezes parecia mais um sertão distante fazendo triagem de zumbis.
Por outro lado, essa quebra acabou combinando com as próprias situações cômicas que eu mesmo causei. Dá pra tirar muitas risadas involuntárias, principalmente se você estiver acompanhado de um amigo vendo os seus deslizes médicos e “desvios de caráter” no jogo.
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Desempenho e Parte Técnica
O desempenho apresentou alguns problemas de fluidez, com momentos que pareciam rodar a apenas 20 FPS. Isso deixou algumas partes da jogatina mais lentas e menos dinâmicas, principalmente comparando com simuladores mais fluidos, como Money Laundering.
Apesar disso, não houve travamentos críticos ou bugs que impedissem o progresso, então a experiência geral continuou divertida e consistente.
Conclusão e Nota Final
Zombie Lockdown Simulator é um 7. A proposta se mostra atrativa, com o pequeno enredo de fim do mundo funcionando como pano de fundo, prendendo o jogador e engajando com suas mecânicas de triagem e gestão.
No entanto, é um jogo que brilha mais quando jogado com amigos ao lado, para aproveitar as situações cômicas de forma coletiva, já que sozinho pode se tornar um pouco repetitivo. A trilha sonora entrega o que o jogo se propôs: um fim do mundo sem o peso do fim do mundo.
No fim das contas, é um jogo para dar risada, se divertir com os deslizes e curtir momentos inesperados – e já vale demais pela experiência proporcionada.
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Emanoel Silva
Fantasma
Sou apaixonado por jogos com foco em exploração, e entusiasta do horror cósmico e fã declarado de universos como Warhammer — mas é o futuro sombrio e estilizado do cyberpunk que realmente me ganha.
Enshrouded não tenta reinventar a roda, mas lapida cada detalhe de um gênero popular, entregando uma experiência de RPG de sobrevivência honesta e divertida, perfeita para ser compartilhada em coop.

Sobreviver em um mundo em ruínas não é novidade nos games. Mas Enshrouded chega com uma proposta diferente: um RPG de sobrevivência que não tenta reinventar a roda, mas lapida cada engrenagem até brilhar. O resultado é um jogo honesto, divertido e cheio de potencial, ainda mais quando jogado em coop.
Antes de mais nada, é preciso reforçar: esta análise é feita no Game Preview. Ou seja, o jogo está em desenvolvimento e mudanças significativas ainda virão. A graça aqui é justamente acompanhar essa evolução, e pode apostar que eu vou voltar de tempos em tempos para contar como o título cresce até o dia em que finalmente sair da névoa do acesso antecipado.

O prazer de jogar
É raro ver um jogo de sobrevivência que não te joga um tutorial interminável na cara. Enshrouded te solta no mundo e deixa que tu aprenda brincando. As mecânicas são diversas, combinando combate, construção, progressão e exploração de forma natural. O destaque, sem dúvida, é o coop. Em grupo, a experiência ganha vida, transformando simples caçadas em histórias dignas de fogueira.
Jogar no controle também surpreende. Para um game pensado no PC, a adaptação é excelente, intuitiva e não deixa a desejar.

Um mundo que respira
A progressão é orgânica. Você sente que cada vitória, cada recurso coletado e cada construção erguida importam. O mundo recompensa a curiosidade com biomas distintos, fauna e flora variadas e inimigos que não caem na mesmice de só trocar de skin. Eles te forçam a crescer, a voltar mais forte e a respeitar os limites da névoa.
A dificuldade é justa, mas não perdoa imprudência. Sair explorando sem estar preparado vai custar caro, e é justamente aí que mora o charme. Ainda assim, é um jogo acessível mesmo para quem, como eu, não é veterano no gênero.

A névoa e o silêncio
A história existe, mas é discreta. Ela não rouba a cena, quem dita o ritmo é o gameplay. E, curiosamente, a ausência quase completa de trilha sonora dá espaço para algo mais poderoso: o som ambiente. O vento cortando ruínas, criaturas espreitando, o eco da sua própria luta. Enshrouded entende que, às vezes, o silêncio fala mais alto do que qualquer música épica.

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Técnica e estabilidade
Rodando no meu setup (i5-12400F, 32 GB RAM, RTX 4060), o jogo manteve 100 fps no ultra, estável e sem bugs. Para um título em acesso antecipado, isso é um feito notável.
O valor da experiência
Vale o preço? Absolutamente. Não só porque é divertido e ideal para jogar com amigos, mas porque apoiar um estúdio que claramente coloca coração no que faz é investir em algo maior. Não é todo dia que encontramos um game em acesso antecipado que já parece tão redondo.
O Que Faz de Enshrouded Único
A névoa é um desafio real que pressiona e recompensa.
A construção é profunda e estratégica, cada projeto se torna motivo de orgulho.
O combate tem peso e fluidez, equilibrando classes sem engessar o jogador.
O mundo aberto é selvagem e vivo, cheio de segredos para descobrir.
A progressão é significativa e nunca artificial.
O multiplayer eleva a experiência, mas jogar solo também é satisfatório.
As atualizações trazem mudanças relevantes e mostram que o estúdio leva a sério o futuro do jogo.
Com o amor e a dedicação que os desenvolvedores demonstram, Enshrouded tem tudo para se tornar mais que apenas mais um survival. Ele pode chegar a dividir espaço com titãs como Minecraft.

Dedicatória ao estúdio
O que mais impressiona em Enshrouded não é apenas o jogo em si, mas o cuidado e o carinho do estúdio com sua criação e com a comunidade. É raro ver tamanha dedicação em cada detalhe, em cada atualização e na forma como eles se comunicam com os jogadores.

Esse é um título que não nasceu para ser esquecido, mas para crescer junto de quem o joga. Eu voltarei a cada grande atualização para acompanhar essa evolução e, quando o lançamento final chegar, estarei aqui novamente para ver até onde esse projeto ousado conseguiu chegar.
Enshrouded é uma promessa viva feita com coração.
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Lucas Ramires
Nashi
PC Gamer CLT que só quer jogar em paz.



